Being Erica

Eu adoro séries de televisão. Assisto desde os tempos de Barrados no Baile, passando por Melrose, Friends e tantas outras que marcaram minha juventude. Esse formato de novelinha semanal é ótimo, você acompanha a evolução da trama sem se prender demais e, em geral, os episódios são conclusivos, você não fica muito perdido se perder uma semana ou mesmo se começar a assistir no meio da temporada. Estou sempre zapeando e procurando novidades e tem surgido séries para todos os gostos -  Grey's Anatomy, Private Pratice, Revenge, Grimm, Once Upon a Time... Boas companhias nas insônias da madrugada.

Sabendo do meu interesse, recentemente meu marido me apresentou uma série canadense chamada Being Erica. Leu a sinopse e achou que eu ia gostar, mas a motivação mesmo foi a coincidência do nome.

Being Erica conta a história de uma mulher à beira dos 30, sem perspectivas profissionais, sem vida amorosa, estressada com a família, e que tem a sensação de que a vida de todo mundo evoluiu, menos a dela. Está meio acomodada, sentindo pena de si mesma. Parêntese: deu pra notar que a coincidência está só no nome, né ? Fecha parêntese. Continuando: um dia, Erica encontra um terapeuta que lhe propõe um tratamento especial. Ele pede para ela listar todos os seus arrependimentos e lhe dá a oportunidade de revisitar seu passado para consertar seus "erros". Ela volta no tempo! Mas o que é mais interessante: ela volta ao passado com a mentalidade do presente. É a Erica madura que volta no tempo e percebe a cada "conserto" os impactos desses movimentos no seu futuro (o presente, no tempo real) e vai concluindo que a sua maturidade foi construída justamente através de cada tropeço. Além disso, a maturidade permite que ela enxergue as situações de forma mais ampla ao voltar ao passado, se colocando no lugar do outro e percebendo que nem sempre as suas conclusões foram precisas, que muitas vezes se basearam na visão parcial que detinha, com base nos elementos que era capaz de observar. Parece meio óbvio, eu sei, mas a série não é tão simplista assim. Cada episódio é uma "desconstrução" (essa palavra está na moda) para a reconstrução da Erica.

O enredo é meio "Peggy Sue, seu passado a espera", filme das antigas com Kathleen Turner e Nicolas Cage que eu assisti muitas vezes na Sessão da Tarde. É um pouco viagem essa estória de viagem no tempo, mas acho que esse é um dos pontos positivos da série, afinal, o objetivo é entreter. A abordagem é leve e descontraída, é facil se identificar com os dramas e situações cômicas da protagonista e é legal ver a sua transformação ao longo da série, quando aprende a confiar mais em si mesma, a ficar menos dependente da aprovação dos outros e a buscar seus próprios sonhos. Enfim, Erica assume as rédeas da sua vida.

A série teve quatro temporadas e foi encerrada no final de 2011. Eu assisti todos os episódios (fiz download) e posso dizer que Being Erica contribuiu para eu lembrar de ser sempre Erica. Contribuiu para valorizar minhas escolhas, porque cada porta que se atravessa é o primeiro passo para uma nova direção. Foram as portas que atravessei que me trouxeram até aqui, tenham sido elas boas ou más escolhas. Não importa agora por onde entrei, o que importa é saber que a vida é um imenso corredor onde ainda vou me deparar com muitas portas. Cabe a mim, somente a mim, escolher por onde irei seguir. Pode parecer que não tem nada de novo nisso, mas tem muita gente que esquece de olhar pra frente, para as portas que se apresentam, porque ficam lamentando as que se fecharam. Being Erica pode ser um começo para a reflexão e mudança de atitude...

Kinha
Kinha

A bagagem de uma mulher, esposa, mãe, executiva e viajante, com um pouco de tudo e muito de nada.

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