O começo da liberdade

Ontem, vivi mais uma daquelas emoções de mãe, que fazem a vida valer a pena. Meu filho aprendeu a andar de bicicleta sem rodinhas. Mal o pai tirou as rodinhas, o pequeno subiu na bicicleta determinado e saiu embalado, como se sempre tivesse andado assim. Fiquei admirada com a cena. Ele dominava a bicicleta com tanta segurança que encheu meu coração de orgulho. Esse é o meu garoto!

Enquanto acompanhava cada movimento, ouvindo seus gritos para chamar minha atenção ao se exibir tirando os pés dos pedais, meu pensamento foi longe. Viajei aos meus 5 anos, quando meu pai me convenceu que era hora de tirar as rodinhas. Muito insegura, eu disse que subiria na bicicleta somente se ele não me soltasse. E assim foi. Eu, na minha Caloi vermelha, saí pedalando, desequilibrada, mas segura, porque meu pai estava ali ao meu lado, segurando no selim. E ele correu comigo, de um lado para o outro da rua, às vezes ameaçando soltar o selim, mas segurando firme ao sentir a bicicleta desequilibrar e eu procurar seu apoio. Não sei quanto tempo durou esse momento, mas a presença do meu pai foi me deixando segura. Quando dei por mim, ele estava lá atrás, sorrindo feliz ao me ver pedalando sozinha. Meu pai me deu segurança para aquela conquista.




Ao ver meu filho disparando sem sequer olhar para trás, não posso negar que também me deu um apertinho no peito. Ele não precisou de nós para sair pedalando e conquistar seu primeiro passo para a liberdade.

Espero que algum dia ele também se recorde desse momento e mesmo que não possa atribuir a nós um papel determinante nessa conquista, que ele lembre que estávamos lá com ele, orgulhosos e confiantes de que ele seria capaz, e prontos para segurá-lo, se precisasse.








Kinha
Kinha

A bagagem de uma mulher, esposa, mãe, executiva e viajante, com um pouco de tudo e muito de nada.

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