Meu pequeno protesto sobre o dia (do presente) das Mães


Dia das Mães. Todo mundo repete que dia das mães é todo dia, mas todo dia das mães é a mesma coisa: uma avalanche de campanhas publicitárias na TV, shoppings cheios, todo o comércio mobilizado para a segunda data mais importante do seu calendário, que perde apenas para o Natal.

Fico num dilema grande em relação a isso, pois também não concordo com todo o apelo comercial da data, mas também nunca tive coragem de não comprar um presente para minha mãe nesse dia. Poderia até embasar com um discurso de não ceder à manipulação do comércio, mas não resistiria ao primeiro olhar de decepção da minha mãe. Então, acabo comprando o presente. E, graças a Deus, sempre pude comprar um. 

O que me entristece é imaginar as pessoas que não podem comprar o presente e que não têm um pensamento "whatever" como eu. Fico pensando no filho daquela mãe que batalha pra caramba para sustentá-lo sozinha e que no dia das mães não consegue comprar um presentinho para sua heroína. Fico pensando naquele pai desempregado que se vê sem saber o que responder ao filho que pede para comprar o presente que viu na TV. Como explicar que não dá para sequer pensar em presente quando o armário da despensa está desabastecido ?

Também me entristece pensar nas crianças em sala de aula que passaram pela tragédia da perda de suas mães, seja pela morte ou pelo abandono, e se vêem obrigadas a fazer tarefas em homenagem às mães e ensaiar canções recheadas de "eu te amo, mamãe", "rainha do lar", "flor mamãe, amor perfeito". Podem dizer que mãe é quem cria, e que, nesses casos, a avó, a tia, ou quem quer que seja representa a figura materna, mas é esperar demais de uma criança da pré-escola a maturidade para entender que todos os seus amiguinhos têm uma mãe emocionada na plateia, com um enorme sorriso estampado no rosto, e ela, não. 

Algumas escolas já mudaram seu posicionamento, suspendendo comemorações dos dias das mães e dos pais e introduzindo no calendário o dia da família, para proteger emocionalmente as crianças e respeitar as diferentes configurações de família. Ainda são minoria, mas já é um avanço. 

Mas, voltando à questão dos presentes, esse ano, assisti uma campanha de uma rede que realmente me emocionou. O comercial da Renner mostra um garotinho protegendo uma flor, apanhada no caminho da volta da escola, para entregar à mãe. Ele deixa de brincar com os amiguinhos, foge de cachorro, enfrenta chuva, focado no objetivo. Chega em casa, com a flor em punho, e seu pai entra logo atrás dele, com um buquê na mão, que rapidamente esconde, para não ofuscar o gesto do menino. Ele, muito orgulhoso, entrega a flor para mãe dizendo "É nosso!", se referindo ao pai também. 

Achei de uma delicadeza e uma sensibilidade tamanhas essa peça. Estão presentes não só no gesto do menino, como do pai, que guarda o buquê, e da mãe, que valoriza aquele momento único. Tanta beleza numa única campanha. Tocou realmente na essência da data, que é demonstrar o amor. Mostrou que um pequeno gesto é capaz de emocionar mais do que qualquer presente. É essa a mensagem que quero transmitir para os meus filhos. 

Em tempos de consumismo e materialismo, a Renner não embarcou na mesmice das campanhas para promover o presente ideal para as mães, e decidiu promover o amor. Quando se toca o coração, o bolso é o passo seguinte. 

Kinha
Kinha

A bagagem de uma mulher, esposa, mãe, executiva e viajante, com um pouco de tudo e muito de nada.

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