Mãe de gêmeos: abençoada em tons de azul e rosa

Sempre quis ser mãe de gêmeos. Essa é uma das certezas da minha vida.

Na adolescência, descobri que a minha avó, mãe da minha mãe, tinha tido gêmeas. Infelizmente, as bebês, nascidas na roça com parteira, no final da década de 50, eram prematuras e não resistiram. Mas ao saber das gêmeas da minha avó, me agarrei naquelas crenças populares que a concepção de gêmeos pula uma geração, e comecei a dizer que só poderia estar comigo o tal "gene", à medida que as minhas primas engravidavam e ninguém tinha gêmeos.

Também contava nessa torcida o fato de que eu me borrava de medo só de pensar em parto, e dizia que a única chance de ter mais de um filho seria se viessem numa única vez.

Mas engravidar ainda era um plano distante (tinha que achar um pai primeiro), e com o passar do tempo, já nem lembrava do assunto, apesar de babar quando via gêmeos na rua...

Muitos anos depois, meu marido e eu decidimos que era hora de pensarmos no bebê. Fui na GO para fazer um preventivo e não resisti: perguntei se ela não poderia me indicar um especialista em gravidez múltipla! Até hoje não acredito que eu perguntei isso! Mas a resposta dela não poderia ter sido melhor: vamos esperar o que Deus reserva para você ?

Essa resposta colocou a pá de cal nessa estória de gêmeos. A ficha simplesmente caiu: tanta gente tem dificuldade para engravidar, eu mesma não sabia se seria o meu caso, como poderia pensar em gestação múltipla ?

Estávamos há 7 meses tentando engravidar e nada... Até que um dia senti uma dor aguda no seio na hora do banho e algo me disse que estava grávida. Fiz um exame de farmácia: positivo! O Bhcg confirmou: estava com duas semanas.

Muita animação naquelas primeiras semanas, até que um sangramento no trabalho me deixou desesperada. Seria um aborto espontâneo ?

Liguei pra GO e ela me orientou a ir correndo fazer uma ultrassonografia transvaginal. Minha primeira ultra e eu estava sozinha, pois meu marido não conseguiria chegar a tempo. Lembro como se fosse hoje: a médica começou a examinar dizendo que era muito comum aborto espontâneo nas primeiras 12 semanas, que o sangramento poderia ser um indício... Muito animadora!

Analisou, analisou e disse que a princípio estava tudo bem, me mostrando na tela uma mancha em forma de círculo, que ela disse que era o saco gestacional. Falou pra levar o exame para minha GO, mas que estava tudo bem. Olhei na tela aquela mancha dentro do útero e vi uma outra, não tão redonda, mas bem parecida, ao lado. Pensei logo que poderia ser um cisto ou qualquer outro corpo estranho e questionei. A médica respondeu, hesitante: "é um segundo saco gestacional". Não entendi bem e perguntei: "como assim um segundo ?" Antes que ela respondesse, perguntei claramente: "isso significa que são dois bebês ?"


A médica respondeu, de forma muito direta e objetiva: "sim, são dois, mas é muito comum de acontecer uma gravidez gemelar e o próprio organismo eliminar um. Talvez essa seja a razão do sangramento."

Sai de lá destruída! Eu estava grávida de gêmeos, mas poderia estar perdendo um. Ou os dois! Recebi a notícia que sempre sonhei na vida, mas de uma forma que estava longe de ser motivo de comemoração... Liguei aos prantos pro meu marido e fui direto para o consultório da minha GO. Ela analisou os exames, olhou firmemente para mim e disse: "tem coisas que cabem aos médicos, outras, a Deus. O meu melhor eu vou fazer, e vamos crer na benção que Deus te deu."

E assim, depois de uma gravidez cheia de cuidados, chegamos às 37 semanas, e meus gêmeos nasceram saudáveis: um menino e uma menina! São eles que colorem a minha vida em tons de azul e rosa!

Deus realmente me deu a bênção de ter gêmeos! Ele honrou a promessa que desde sempre fez sentir no meu coração.

Kinha
Kinha

A bagagem de uma mulher, esposa, mãe, executiva e viajante, com um pouco de tudo e muito de nada.

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