E viva o Papa!


Sou católica. Fui levada ao Batismo pelos meus pais, como a maioria das crianças. Fiz anos de catecismo para chegar à primeira Eucaristia. Estudei em colégio de ensino religioso, administrado por freiras da Congregação Sagrado Coração de Maria. Aos 12 anos, declarei aos meus pais que gostaria de ser freira. Foi um grande susto para eles. Misto de decepção e descrença. Como uma criança naquela idade poderia entender a complexidade daquela decisão e se achar preparada ? Talvez por isso, eles apoiaram a minha decisão de fazer concurso para a ENCE (Escola Nacional de Ciências e Estatísticas), tradicional escola de ensino técnico no centro do Rio de Janeiro, aos 13 anos, e apesar da distância do meu bairro (Campo Grande) e da minha pouca idade para encarar os escassos e lotados ônibus, eu fui (desisti nos primeiros meses, mas deixa esse assunto para outra hora).

Continuei participando ativamente das missas, completei o Pré-Jovem, fiz a Crisma, aos 16. Do grupo de Crisma, fundamos o Grupo Jovem na nossa paróquia, que estava há anos fora de atividade. E participei de todas as atividades da Pastoral da Juventude daquela época, junto com outras igrejas da Região IV. Aos 18 anos, atuei na coordenação da Crisma, participando dessa etapa na vida de muitos jovens. Jovens como eu. Também me dediquei ao catecismo, um pouco depois. Grande privilégio falar de Deus para as crianças! Assim, percebi que há diferentes formas de manifestar a nossa vocação e servidão e atendi dessa forma ao meu chamado.

Foi na igreja que conheci o meu marido. Participamos da mesma turma do grupo de Crisma, mas só anos mais tarde, ao nos reencontrarmos no Grupo Jovem, surgiu um novo olhar. Diante de Deus e da Igreja, recebemos o sacramento do Matrimônio, na Matriz Nossa Senhora do Desterro, onde toda a minha história de fé foi escrita.

Mudamos de bairro quando casamos e por mais que eu tenha tentado, visitando outras igrejas católicas no novo bairro, nenhuma preencheu o espaço deixado pela Nossa Senhora do Desterro. Ali, nos bancos da Desterro, eu me sentia em casa. Eu me conectava com Deus, eu me preenchia. Eu sei que é um absurdo restringir a conexão com Deus a um determinado lugar. Não é o que quero dizer. Mas as pessoas têm seus lugares especiais, onde se desligam do mundo e se permitem a intimidade com Deus. Não importa se esse lugar é entre as paredes de um templo ou de um quarto. No meu caso, talvez porque eu dividisse o quarto com a minha irmã, o meu lugar era ali. Era entrar e desmoronar. E em seguida, me reconstruir, com uma força muito maior que eu sozinha teria, uma força divina. Era sentar ali para sentir que Deus percebia a sinceridade da minha gratidão. 

Nossos filhos nasceram. Gêmeos. Nossas bençãos! Pais de primeira viagem, morando longe dos nossos pais. Qualquer saída de casa era um acontecimento! Ir à missa foi ficando cada vez mais raro. Com o tempo, me afastei da igreja. E o vazio ficou.  

Longe da igreja, mas não de Deus, visitei algumas, inclusive evangélicas. E confesso que em uma igreja em especial, a Comunidade Evangélica Zona Sul, encontrei motivos para ficar. Ali tive quase um "deja vu", parecia que eu tinha me transportado para os bancos da Desterro. Frequentei por mais de um ano e ainda visito esporadicamente. A Palavra é uma só, Deus é único. Não importa onde você O encontre. 

Temos educado nossos filhos na fé cristã, mas sempre soubemos da importância de estarmos inseridos na comunidade. Por isso, esse ano tomamos a decisão de buscar uma igreja para congregar em família e voltamos a participar das missas com regularidade. E justamente nesse momento, a Igreja Católica escreve uma nova página na sua história, com a renúncia inesperada do Papa Bento XVI. Ato de coragem e de amor pela Igreja. Depois de 2 dias de conclave, o mundo conheceu o Papa Francisco, o primeiro oriundo da América Latina, o primeiro jesuíta, cujo nome foi inspirado em São Francisco de Assis. E já nos primeiros dias de seu pontificado, o Papa dá exemplos concretos de humildade e simplicidade, ao trocar o tradicional anel de ouro por prata, ao trocar o trono por uma cadeira como a dos cardeais presentes, ao se chamar de Bispo e se referir aos outros como irmãos. 

Hoje fomos à Missa de Ramos. Não sei se pela data, se pela inspiração que o Papa Francisco tem trazido aos corações dos católicos, tocados pelo sorriso acolhedor do pontífice, ou se por ambos, mas o fato é que há muito tempo não via igrejas tão lotadas. Fomos a que temos frequentado e não conseguimos entrar. Fomos a outra, cuja missa começava 30 minutos mais tarde, e ficamos no corredor de acesso, não conseguimos entrar na nave da igreja. Será que são reflexos dos novos tempos ? Será que é sinal do avivamento da Igreja Católica ?

Que Deus abençoe o pontificado de Francisco ! Amém!   
Kinha
Kinha

A bagagem de uma mulher, esposa, mãe, executiva e viajante, com um pouco de tudo e muito de nada.

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