Eu confesso: não vou à Disney pelos meus filhos...


Viajar para a Disney não é uma decisão corriqueira. É um investimento que envolve todo um planejamento financeiro. Ano passado, estava em dúvida sobre fazer o Disney Cruise, pois o valor envolvido para um cruzeiro de 3 noites era equivalente a uma semana em Orlando visitando os parques. Compartilhei com um amigo que estava pensando em adiar o sonho do cruzeiro, e ele, pai de adolescente, me disse uma frase que mexeu comigo: “Seus filhos não vão ter 10 anos para sempre.”

Lembrei que foi justamente por volta dos 12/13 anos que os finais de semana na casa dos tios foram ficando sem graça, pois eu queria ficar com os amigos do condomínio em que morava. Se hoje em dia, a agenda do final de semana já é praticamente das crianças, um leva-e-traz de festas de aniversário (que agora já são só para elas) e programações com os amigos, imagina daqui a alguns anos então... Conclusão: decidi fazer a viagem sonhada com eles!


Tudo isso me trouxe uma reflexão importante: eu não vou à Disney pelos meus filhos. Não. Apesar de envergonhada por assumir, ficou claro que eu não vou à Disney por eles. Vou por mim.

Sim, eu vou à Disney para ver o brilho nos olhos e a alegria dos meus filhos, naquele cenário de fantasia. Para preencher meu coração com uma overdose de sorrisos. Para ouvir suas gargalhadas e deixar ecoarem na memória. Eu vou à Disney para vivenciar com eles momentos inesquecíveis.

É a mesma alegria que eles irradiam quando estão brincando no tapete da sala ou pulando na piscina ? Acredito que sim... Só que lá eu estou voltada só pra eles...

Na Disney, vivemos momentos só nossos, que até poderiam acontecer em outra viagem de família qualquer ou dentro da nossa casa, sim. A diferença é que lá eu me reencontro. Lá eu escuto meus filhos verdadeiramente, sem falar “aham” no automático enquanto a cabeça planeja o que tem que organizar para a manhã seguinte. Lá, eu não sou escrava da agenda ou guiada pelo smartphone. A única preocupação permitida é com horário do próximo Fast Pass.

Lá eu sou livre, eu sou leve, eu simplesmente sou. Eu vivo o tempo presente, me desconecto da minha autoimagem e me reconecto com sonhos de infância que nem me dava conta que tinha, que estavam adormecidos dentro de mim. Eu realmente estou.

É fuga da realidade ? Pode ser! Me condene quem nunca precisou fugir num livro, na rede social, na balada...

É um mundo artificial ? Tranquilo pra mim! Quanta artificialidade existe no nosso cotidiano ? Quantos sorrisos são falsos ? Quantas verdades são na verdade versões fantasiosas ?

O que importa mesmo é o que a gente sente. É o que nos acrescenta, o que traz significado para nós. E a cada vez que eu vou à Disney, eu acrescento uma tonelada de momentos felizes na bagagem.

Definitivamente, meus filhos não precisam ir à Disney. Eu, sim.



Bj bj!

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