Minhas viagens: Engenheiro Passos - RJ

Engenheiro Passos é um distrito do município de Resende, no Rio de Janeiro, às margens da Rodovia Presidente Dutra, na região do Vale do Paraíba. Fica na divisa com o estado de São Paulo.

A região é conhecida pelos hotéis-fazenda, que no passado foram propriedades produtoras de café, e com o fim do Ciclo do Café, foram se transformando em hotéis. Em geral, os hotéis-fazenda preservam os casarões e a arquitetura da época, que se mistura com aquela atmosfera bucólica.

Uma região de muito verde, onde você encontra belíssimas cachoeiras! Um convite para trilhas, caminhadas e cavalgadas. Além disso, Engenheiro Passos está a cerca de 20 km de Penedo e a 12 km de Itatiaia, portanto, ainda dá para conhecer outras cidades lindas nos arredores.

O centro de Engenheiro Passos é de típica cidade do interior: uma rua principal, que leva a uma Igreja, numa pracinha central. Nas lateriais da rua, comércio de diversos tipos: borracharia, mercadinho, sacolão, birosca, cabelereiro, etc. Carroças nas ruas, poucos carros circulando.

Estivemos em Engenheiro Passos duas vezes e ficamos em hotéis-fazenda distintos: Hotel Fazenda Villa-Forte, no Carnaval de 2010, e no Hotel Fazenda Palmital, no Feriadão de São Sebastião, esse janeiro. Vou compartilhar um pouquinho das experiências nas duas estadas.

Hotel Fazenda Villa-Forte

O nome do hotel se deve ao fato da fazenda ter pertencido ao Almirante José de Siqueira Villa-Forte. O funcionamento como hotel teve início em 1918, quando o Almirante e sua esposa passaram a hospedar regularmente os amigos da família. O hotel fazenda é, até hoje, administrado diretamente por seus descendentes.

Descobri esse hotel pela internet, buscando um hotel-fazenda para passar o Carnaval com a família. Com filhos pequenos, então com 3 anos, tudo que queríamos era um lugar tranquilo, onde as crianças pudessem ter contato com a natureza.

A recepção fica no casarão, que é visto logo na entrada da fazenda, e traduz a imponência dos tempos da produção cafeeira. O restaurante também fica na casa principal e as acomodações são distribuídas no entorno - em volta da piscina, no jardim e no próprio casarão.

Os quartos são simples, com decoração antiga, mas tem TV, ventilador de teto e frigobar. 

A estrutura do hotel é bem completa: duas piscinas (adulto e infantil), campo de futebol, quadra de vôlei de areia, brinquedos. O restaurante é bem servido, chegamos quase no final do horário do café, mas ainda pudemos nos servir com muitas opções à mesa. Aliás, todas as refeições foram bem caprichadas e um dos dias o almoço foi um churrasco na beira da piscina. Deu um clima intimista, aproximando os hóspedes. Além disso, tem um restaurante exclusivo para as crianças, com opções voltadas à dieta dos pequenos. É tudo bem simples, mas bem cuidado. 

Alguém tem dúvida que estava divertido ?

O hotel contava com recreadores, para a alegria da criançada. Como era Carnaval, também não faltou um bailinho, com direito a desfiles de fantasias, confetes e serpentinas. Isso num salão segregado do hotel, o que não atrapalhava quem queria continuar no sossego. 

As crianças também puderam passear em carroças puxadas por bois, correr atrás dos gansos e marrecos (até eles correrem atrás delas!) e visitar os animais no curral - porcos, cavalos, galinhas. Não chegava a ser uma fazendinha estruturada para a visitação, igual alguns hotéis dispõem, mas valeu para ter contato com os animais de perto.


Um ponto de destaque do hotel é que ele tem um lago enorme, cheio de peixes, onde você pode pescar de verdade (e devolver, claro!). As crianças se divertiram com a experiência de ver os peixinhos de perto. 


Passamos 4 dias prazerosos no hotel e realmente nos encantamos pela região. 

Informações:
Site do hotel: http://www.villa-forte.com.br
Endereço: Rodovia Presidente Dutra, Km 330 | Engenheiro Passos, Região do Itatiaia, Engenheiro Passos, RJ

Hotel Fazenda Palmital

Esta fazenda, que já recebeu Dom Pedro II e a Marquesa de Santos, ainda preserva os sinais da história: a casa grande, onde residem os proprietários, vestígios da Estrada Imperial, e as ruínas das paredes de pedra da senzala. Hoje, os proprietários e sua família administram o hotel.

Casa onde Dom Pedro II e a Marquesa de Santos pernoitaram.

O local é belíssimo. A paisagem natural se completa com a beleza da arquitetura antiga. Algumas edificações estão mal conservadas, o que é uma pena, pelo seu valor histórico. São construções que despertam o interesse do público e se abertas à visitação, poderiam trazer uma receita que poderia ser aplicada na sua conservação. Esse casarão é um exemplo. Chegamos a perguntar se poderíamos visitá-lo, mas ele fica sempre fechado.

As acomodações são simples, com mobiliário antigo. Mas tudo estava limpo. Tinha TV e  frigobar (Vazio!), sem ventilador ou ar condicionado, mas não fizeram falta, pois apesar do calor do dia, à noite, refresca. O banheiro é típico de casa da vó na nossa infância:  louça colorida, bidê (meus filhos não sabiam o que era - riram dizendo que era uma banheirinha!), azulejos decorados com flores. Mas a água quente era tão quente que queimava mesmo. Tinha que calibrar bem com a fria. Ou seja, cama limpa e banho quente. Pra quem não vem pra ficar só dentro do quarto, basta.


Um inconveniente é que não tem sinal para celular!  Se essa informação fosse divulgada, certamente eu não me embrenharia até lá. Por causa do trabalho, meu celular fica 24h disponível. Além disso, a sensação de estar fora de área para qualquer emergência é horrível! Também não tem telefone nos quartos, então tive que ficar um tempão na recepção para ligar da única linha do hotel para avisar aos meus pais e ao Big Boss! Quando estivemos no Hotel Villa-Forte, não tivemos esse problema, por isso nem passou pela minha cabeça... Mas pra quem quer sumir do mapa...

O hotel tem duas piscinas, uma adulta e outra infantil. Tem sauna, quadra mista, quadra de vôlei de areia e campo de futebol (aterrado onde ficava o cemitério dos escravos - passei longe!). 

Corre um rio dentro da propriedade, para onde são promovidas caminhadas com os hóspedes, assim como até uma cachoeira próxima. Quem organiza é a recreadora (única no período), muito simpática e atenciosa. 


Restaurante à esquerda, coreto à direita

Uma antiga ponte que caiu unia Rio a São Paulo, na outra margem.

Também pode ser feito passeio à cavalo, que é conduzido por um guia, um senhorzinho que trabalha na fazenda desde pequenino, segundo ele. Já está prestes a se aposentar esse ano! Uma vida dedicada ao hotel-fazenda.


O grande problema do hotel foram as refeições. Tratando-se de hospedagem com pensão completa na fazenda, você espera uma variedade de comidas típicas, aquelas delícias do interior e com a fartura da casa da vó. Inclusive, a própria propaganda no voucher do Hotel Urbano (onde comprei o pacote e que costumo utilizar para as viagens) dizia: "Haja caminhada para queimar as calorias das delícias preparadas no fogão à lenha! Com hospedagem no Hotel Fazenda Palmital, a comilança está garantida para o feriado de São Sebastião!" A realidade passou longe disso!

Chegamos no hotel na noite de sexta depois do jantar (o trânsito estava intenso) e não havia outra opção de alimentação. O frigobar nem água tinha! O jeito foi esperar o café da manhã. Só que acordamos tarde, cansados da viagem, e chegamos para o café às 9h30. Quase não se tinha opção. E nem sinal de reposição. Só havia pão e muitas travessas vazias. Um rapaz atencioso nos ofereceu ovo mexido e pediu na cozinha para fazerem para nós. Salvou! 

Como o café não foi lá essas coisas, às 12h30 estávamos na porta do restaurante, esperando para abrir. Assim como nós, muitos hóspedes fizeram o mesmo. O serviço é desorganizado, não existe um direcionamento de fila para se servir. As pessoas entram umas na frente das outras, cada um querendo resolver o seu lado. Do tipo "se a farinha é pouca, meu pirão primeiro". Apesar disso, almoçamos bem. A comida estava gostosa. Mas percebi que quem chegou pro final, teve que se contentar com a sobra.

Na hora do lanche, foi anunciado que haveria um café. Quando vimos servir, eram 2 garrafas de café e 2 pratos com pedaços de bolo. Pouca coisa, para muita gente. Mal se conseguia chegar à mesa. Naquele momento, decidimos ir à cidade abastecer o nosso frigobar. Apesar da distância, foi a melhor decisão. Compramos tudo que precisávamos e ainda aproveitamos para fazer um lanchinho no Graal.

Na hora do jantar, já chegamos mais tarde, até porque não estávamos mais com grandes expectativas. Mas jantamos direitinho. Depois rolou uma música ao vivo no coreto, que me fez esquecer os problemas da refeição.

Mas o café do dia seguinte foi a gota d'água: só tinha pão, biscoito maizena e o último pedaço de bolo, que disputei com outro hóspede. Suco: só um restinho que deu para os dois copos dos meus filhos. Café: última dose. E só! Isso às 9h! Sinceramente, não fomos para um hotel-fazenda para passar privação. Decidimos encerrar a viagem um dia antes e voltar para casa. Nem ficamos para o almoço. 

Aliás, o nosso almoço foi o melhor possível: paramos em Penedo e nos deliciamos com uma picanha maravilhosa e um mini-fondue de chocolate de sobremesa!

Informações:
Site: http://www.hotelfazendapalmital.com.br/
Endereço: Estrada Rio-Caxambu km 11, Engenheiro Passos, RJ


Kinha
Kinha

A bagagem de uma mulher, esposa, mãe, executiva e viajante, com um pouco de tudo e muito de nada.

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