Diário de viagem: Praia do Forte - BA

A Praia do Forte é um vilarejo que fica a 55 km do aeroporto de Salvador, no município de Mata de São João, no litoral norte da Bahia. São mais de 12 km de praias, com várias piscinas naturais formadas por arrecifes ao longo da costa.

O que vai encontrar ?

Praias lindas e transparentes, cujos arrecifes formam piscinas naturais e permitem ver um pouquinho da vida marinha bem pertinho, um verdadeiro aquário natural. Cardumes de peixinhos, caranguejinhos, ouriços e outros pequenos seres marinhos, tudo na beirinha. As praias são tranquilas, com larga faixa de areia para correr, brincar e explorar. Tudo de bom para as crianças !


A vila é super charmosa. Conta com restaurantes para todas as preferências e comércio bem estruturado e variado, não só com artesanatos, souvenires e artigos típicos das regiões turísticas, como também lojas dos principais centros urbanos, de roupas, sapatos, acessórios, perfumes e, óbvio, moda praia.

(Foto extraída do site do Porto Zarpa Praia Hotel)

Além disso, a Praia do Forte abriga o Projeto Tamar, centro de visitação e exposição em ambiente seminatural de tartarugas marinhas. Encanta adultos e crianças !

Como chegar ?

O acesso à Praia do Forte é através da BA-092, conhecida como Estrada do Côco.

Partindo do aeroporto de Salvador, são cerca de 50 minutos. Você pode negociar o transfer com o próprio hotel ou pegar um táxi no aeroporto. Os táxis cooperativados dos quiosques do aeroporto cobram R$ 214,00, mas o próprio taxista ofereceu um desconto para a volta, cobrando R$ 180,00, ou seja, tem como negociar com os táxis na porta. Mesmo assim, na volta fechamos o transfer diretamente com o hotel e ficou por R$ 160,00. E sem pechinchar, preço-tabela. Por isso, recomendo contratar diretamente no hotel.

Alugar um carro não é uma boa opção, porque o carro vai ficar parado durante toda a sua permanência na Praia do Forte. A vila é pequena, basicamente uma rua principal, portanto não exige grandes deslocamentos. Além disso, os hotéis e pousadas se concentram nos arredores na rua principal, a uma ou duas quadras dali, em geral. Esse é o grande barato da Praia do Forte: você faz tudo a pé. Calça o seu chinelinho e sai. Liberdade total.

Onde ficar ?

Tem muitos hotéis e pousadas na região, desde resorts, como Tivoli Eco Resort e Iberostar, a outros hotéis menores e pousadas bem aconchegantes.

Já estive a trabalho nos dois resorts e posso dizer que são maravilhosos, super confortáveis, tão bons que você nem precisa sair deles. Talvez esse seja o problema. Num lugar como a Praia do Forte, o que você precisa é de um hotel acolhedor para dormir e só, porque vai passar a maior parte do tempo na rua, circulando. Pensando assim, priorizei a localização e escolhi o Porto Zarpa Praia Hotel, um hotel bem pertinho do centro, na rua paralela à principal. Você pega uma viela transversal e já está no centro da vila. Quartos amplos, mas simples, na medida certa. Piscina, área verde, parquinho para as crianças e acesso direto à praia. Gente educada e atenciosa. Gostei!

Fiz a reserva pelo Booking.com. Fechei a uma diária de R$ 510,00 (tudo bem, estava caro, mas lembre-se que era Bahia em plena alta temporada, mês de julho!) e descobri no hotel que esta é a tarifa-balcão. Vi um casal chegando sem reserva, cotando no balcão, e conseguindo diária de R$ 320,00. Na hora, me senti lesada! Mas a gente tem que lembrar que se fazer reserva com antecedência através de agência tem um custo adicional, também te traz a tranquilidade de que está tudo garantido. Chegar do nada no balcão do hotel pra negociar tem o risco de ter ou não disponibilidade, e quando você está com crianças, em geral você não pode assumir esse tipo de risco... A decisão depende do perfil do viajante...

Curiosidade

A vila tem seu próprio sistema de transporte: os bicitaxis e os tuc-tucs.

Os bicitaxis são duas bicicletas adaptadas como um veiculo de 4 rodas, com capacidade para levar uma família de 4 pessoas, além do condutor. É divertido, porque um dos passageiros pedala junto com o condutor, enquanto os outros curtem o passeio. Os bicitaxis são registrados, emplacados e ainda existe um rodízio estabelecido para placas pares e ímpares, para circularem em dias alternados (igual São Paulo, viu ?). Além disso, tem tabela padrão do serviço. De uma ponta a outra da vila ou até o hotel, se for nos arredores, custa R$ 10,00.



Os tuc-tucs são como uma carruagenzinha puxada por uma moto. Também transportam 4 passageiros. Circulam na estrada, levando os turistas às praias ou passeios um pouco mais distantes. Não podem circular na rua principal da vila, que é exclusiva para os bicitaxis.
Os dois veículos são super interessantes e as crianças adoram ! Quem vai à Praia do Forte tem que circular neles! :-)


O que é imperdível na Praia do Forte ?

Visita ao projeto TAMAR

No projeto TAMAR você encontra tubarões lixa, arraias, peixes curiosos e... tartarugas marinhas, claro! De diferentes espécies e tamanhos, adultas ou filhotes, as tartarugas nadam tranquilas nos tanques, numa bela exposição a céu aberto.

O ambiente é preparado para receber a turminha, tanto que foram criados personagens para cada espécie de tartaruga, que vão contando curiosidades em painéis expostos na área do projeto. Os personagens também estrelam um filme educativo que rola no cineminha do projeto TAMAR, uma animação que mostra de forma simples o processo de procriação das tartarugas e os desafios dos filhotes para sobreviver, principalmente devido à iluminação artificial nas áreas de desova. Transmitem a mensagem de forma leve e divertida. 

Além disso, tem uma lojinha super legal, de onde é impossível sair de mãos abanando.



Visita ao Castelo Garcia D'Avila

O "castelo" Garcia D'Ávila na verdade é uma casa forte. Garcia D'Ávila foi almoxarife do primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa, fundador da cidade de Salvador, e iniciou a construção da casa em 1551. A conclusão foi em 1624, pelas gerações seguintes. O "castelo" é a primeira edificação militar portuguesa construída no Brasil.
O que você encontra são as ruínas. A única parte bem preservada é a Capela de Nossa Senhora da Conceição, que fica anexa à casa. Na capela estão imagens originais de São Francisco de Assis e Santo Antonio, exceto por suas cabeças, que foram retiradas na expectativa de se encontrar metais preciosos dentro das imagens, como era comum naquela época, para evitar os saqueadores das viagens. Desse costume nasceu a expressão "santo do pau oco". Aprendi com o guia.
Alguns arriscam ir a pé da vila até o castelo, porque as placas indicam 2,5 km de distância, porém, essa distância é só até a entrada, ainda na estrada. Da estrada até o castelo, há mais 3 km de estrada de terra, portanto, na verdade são 5,5 km. Se tiver disposição, vá em frente! Se você não estiver a fim de se cansar, afinal, você está na Bahia, há passeios de buggy que levam até o castelo ou mesmo vans e táxis. Eu recomendo a ida de tuc-tuc. Custou R$ 70,00, ida e volta. Demos sorte, porque o motorista do tuc-tuc era um guia credenciado, então nos deu uma aula de história, explicando desde a chegada das caravelas portuguesas à Bahia e detalhando tudo sobre a construção do castelo.



Na entrada, tem um memorial, com informações sobre a construção e uma maquete. O ideal é conhecer as ruínas primeiro e depois ver a maquete, para poder confrontar o que imaginou. 





Passeio de quadriciclo e canoagem - Turismo Aventura

Imagine fazer um passeio de quadriciclo por uma trilha no meio da mata atlântica, passando por áreas alagadas, enlameadas, aclives, declives, estreitas... Simplesmente demais!


Não é nada muito radical, tanto que fizemos isso com as crianças, cada um com uma na garupa, sem nenhum problema.
Primeiro, você faz um test-drive no ponto de encontro, onde recebe instruções básicas e faz um circuito para "dominar a máquina". Depois, está pronta para partir. O grupo vai em comboio, com dois guias acompanhando, um na frente e outro no final, ambos de moto. São cerca de 15km de quadriciclo, até a parada, às margens do rio Sapiranga.

Nesse ponto, você pode fazer um passeio pelo rio. É opcional. Não perdemos a chance, entramos os 4 na canoa, as crianças no meio, os adultos nas pontas (todos com coletes, claro!), e fomos remar! Minha filha se sentiu a própria Uniqua: "Vou remar, vou remar, pelo lago eu vou"... (Quem tem filho com menos de 5 anos vai entender... rs)

Na volta, já nos esperava uma porção de carne de sol com suco de umbu-cajá, que havíamos encomendado na chegada. Os pratos são servidos na varanda de uma casa que fica em frente ao rio. O casal faz a recepção dos "aventureiros", o marido atende e a esposa prepara. Gente boa que só! Depois do tira-gosto (que estava no capricho!), mais alguns quilômetros de quadriciclo, até o ponto de partida.

O passeio é contratado na esquina da entrada da vila, na agência Porto Mar Passeios Turísticos. Custou R$ 210,00 por máquina, que pode levar 2 pessoas, pagando em espécie. Com cartão, ficava R$ 240,00.

Passeio pelas piscinas naturais
As piscinas naturais ficam no extremo esquerdo da Praia do Forte. Com a maré baixa, dá para chegar a pé, contornando a praia, mas as crianças preferiam ir de tuc-tuc, então fomos pela estrada.

A praia fica numa área de proteção ambiental, que está cercada por condomínios de casas. Os tuc-tucs levam até a entrada da área de proteção, daí você caminha cerca de 5 minutos por dentro da reserva até avistar a praia. Linda, cheia de coqueiros, que formam guarda-sóis naturais, a praia forma várias piscinas, entre os corais, onde você vê algas, peixinhos, caranguejos e outros seres esquisitos. Rasinha para as crianças e com piscininhas para um bom mergulho, a praia é ótima!
Ainda foi possível fazer um passeio à cavalo, com os "peões" que estavam na praia, disponíveis para uma voltinha nos bichinhos. Tinha um pônei também. A volta de 20 min acompanhada pelo guia custa 20,00. As crianças fizeram dois em um, cada uma 10 minutos no pônei e ainda tiraram foto no cavalo maior. Nem preciso dizer que acharam o máximo, né ?

Instituto Baleia Jubarte
Quem pensa que na Praia do Forte só tem tartaruga marinha, se engana. Também tem baleia!

Figurinha fácil na região, por isso foi criado um instituto para conscientização sobre a preservação da baleia jubarte. O instituto tem esculturas, exposição fotográfica e um anfiteatro onde são realizadas palestras. No anfiteatro tem computadores com programas como jubarte 3D, onde as crianças conseguem manobrar a baleia por todos os ângulos, além de jogos temáticos para crianças. 
Ah! Tem também uma lojinha, claro!
Existe um passeio, programado pelas agências, para ver as baleias ao vivo e em cores, mar adentro. Você leva cerca de 1h30 de barco, depois pega um bote, até a área onde as baleias ficam. A duração do passeio depende da aparição das estrelas, as baleias. Pode levar 4 horas. Não fiz, com receio de enjoar no barco.

Gastronomia

A gastronomia na Praia do Forte é um assunto à parte. Você encontra de tudo! Além de toda a diversidade da comida baiana, você também encontra cozinha italiana, sushi house, risoteria, cafeteria, fast food. Vou ousar dar algumas sugestões com base no que experimentei.

Casa de Farinha
No centro da vila, você encontra a Casa de Farinha, onde as baianas fazem uma variedade de tapiocas e bejus, com até 3 recheios, ao fogo de lenha. Modéstia à parte, de tapioca eu entendo, porque minha mãe é uma "tapioqueira" de mão cheia, e confesso que não senti diferença para a tapioca da minha mãe. Massa fininha, feita no capricho!

Terreiro da Bahia
Melhor restaurante no Guia 4 Rodas desde 2009. Me chamou a atenção a placa, por isso fui conferir, e foi fácil entender porque o restaurante foi reconhecido tantas vezes no Guia. Comida deliciosa, apresentação impecável, ambiente aconchegante, atendimento excepcional. Adorei !
De entrada, comemos beju de siri. Parece uma bruscheta, só que com tapioca em vez de pão e siri e queijo coalho no recheio, além dos ingredientes tradicionais. Delicioso!
Prato principal, ensopado de peixe com camarão, acompanhado de pirão, farofa e arroz branco. Podia ser moqueca, mas como não me dou bem com o dendê, escolhemos o ensopado. Também estava ótimo!
De sobremesa, torta mulata assanhada com sorvete e calda de frutas vermelhas e tuille de chocolate. O nome é diferente, mas parecia um petit gateau, com a consistência de brownie, com sorvete, calda com um azedinho doce delicioso e lasquinhas de chocolate. Gostoso demais também!
E para arrematar, doce de leite com queijo coalho. Queijo bem picadinho, espalhado sobre o doce de leite, servido com colheres de pau pequeninhas. Um charme!
E tudo servido rapidinho. Aplausos de pé para a Chef Tereza Paim !

Bar do Souza
É a indicação para a noite de sábado, pois é o único local que rola uma música para dançar. Fica logo no início da vila, no lado esquerdo de quem chega. É um bar bem grande, com palco e pista de dança. Duas bandas se apresentam na noite. Ambiente bacana, dá para levar as crianças numa boa.
A primeira banda, bem regional, com samba das antigas, pagode e sertanejo universitário. A segunda, mais pop, mas não fiquei até o final porque as crianças já estavam cansadas.
Mas viemos aqui para beber ou para conversar (Ops! No nosso caso, para comer ou para dançar) ? Então vamos à dica gastronômica: a boa no bar do Souza são os petiscos, sendo o bolinho de peixe o carro-chefe. Mas também tem o peixe agulhinha frito, o pastel de siri... Enfim, não falta o que beliscar.

Sorveteria Tutti Fruti
Se eu disser que é a melhor sorveteria que eu já fui, você acredita ? Pois é verdade! É muito simples, mas é ótima! A sorveteria Tutti Frutti reúne uma variedade enorme de sabores, dos comuns aos mais exóticos, das frutas tradicionais a tropicais e regionais. Dentre todos, o meu preferido é o sorvete de jaca. Jaca é um sabor raro de se encontrar (além da Praia do Forte, só encontrei sorvete de jaca no Centro de Tradições Nordestinas, em São Cristóvão, RJ) e o da Tutti Frutti é delicioso! A produção é artesanal e exclusiva para a sorveteria. A Praia do Forte tem até outras sorveterias mais bonitinhas, mas para mim o sorvete da Tutti Frutti é o melhor.
Da vez anterior que estive na Praia do Forte, o sorvete de jaca tinha acabado. Esperei dois dias para ficar pronto. Já virou tradição: quando vou à Praia do Forte, "encho o pote", literalmente, de sorvete de jaca!  

Essas são as minhas dicas. Espero que ajude você a decidir conhecer esse paraíso ou voltar para matar a saudade. 

Boa viagem!

(Realização da viagem: julho/2013)


Kinha
Kinha

A bagagem de uma mulher, esposa, mãe, executiva e viajante, com um pouco de tudo e muito de nada.

2 comentários:

  1. Adorei seu post, estou com a viagem marcada com o maridão e a filhinha de 1 ano e 6 meses para a praia do forte em outubro, estou super ansiosa! Seu post já está guardado nos meus favoritos, e estou super curiosa de saber o sabor do sorvete de jaca! Obrigada pelas dicas!

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  2. Olá, Leonor! Que bom que as dicas ajudaram! Espero que sua viagem com a família seja maravilhosa e que você goste do sorvete de jaca tanto quanto eu! Grande beijo!

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